ardes-me

ardes-me

05/06/10

Encontro perfeito

Há esperas que valem mesmo a pena.


Chegaste, finalmente. Com o mesmo sorriso de sempre. Esse que um dia, sem te conhecer ainda, me encheu o peito e me aqueceu a alma. O mesmo que guardo colado à memória desde a primeira vez que te vi. Numa espera que parecia não ter fim.
Um olhar inquieto sobre a paisagem dançava, ao ritmo da azáfama das idas e vindas daqueles que por mim passavam. Para ocultar o nervoso miudinho, sobre a mesa, os meus dedos tamborilavam e brincavam ocasionalmente com a chávena, já vazia, que tinha à minha frente. E um sorriso, de quem sorri de si própria, desenhava-se nos meus lábios. Escondia-se por detrás das mãos que te aguardavam, ansiosas pelo que estava para vir.
Sorri e abracei-te com força. Ah o teu abraço, quente e protector. Dá vontade de não mais sair dele.
Pedimos um café e, enquanto o aguardávamos, falámos de ti e de mim, de tudo e de nada e enquanto os teus dedos se confundiam com os meus fui sorvendo os carinhos, retendo na pele e no peito todo o calor e a ternura que deles emanava. Sabes como me alcança e aquece o toque doce das tuas mãos nas minhas? Sabes, eu sei que sim. Sabes que me levaste contigo, desde aquele instante mágico em que as nossas mãos se tocaram sem querer e nos ficamos a olhar perdidos no olhar um do outro. Ah as tuas mãos…procuro no entrelaçar dos meus dedos, a marca profunda da tua pele na minha, do teu calor no meu, misturados…essa mistura tão nossa que é o mais parecido com o tocar o azul do céu.
Fecho os olhos, numa tentativa de guardar para sempre este momento e tu pronuncias o meu nome, chamando-me à realidade. Sorris-me e dos teus olhos saem aquelas palavras que os teus lábios teimam em não dizer. Adoras-me, eu sei. E tu sabes que eu sei. Um arrepio e uma saudade imensa invadem-me. Sinto tanto a tua falta.
Sorrio… e murmuro para dentro: Gostava de te ver chegar agora aqui…


Ainda hei-de inventar um nome para este sentimento que nos une. É mais que amor. É mais que paixão. É mais que tudo, o que já foi dito e inventado por outros amantes anteriores a nós. Adoro-te!

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